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O dia em que o Sol encontrou-se
com a Lua
Conta-se, que há muito
o Sol
andava tristonho pela Terra.
Os pássaros, as flores,
os animais,
todos se questionavam sobre
o distanciamento do sol.
Numa manhã; que seria
bem mais bonita,
se o Sol estivesse com seu esplendor
total;
uma ave de vôo inigualável
chamada Condor;
arriscou-se e quis tentar conversar
com o astro rei.
O sol percebendo a dificuldade
do Condor para se aproximar,
tranqüilizou-o dizendo:
_ Linda ave; de vôo quase
perfeito,
porque queres chegar a mim,
se estou por toda parte deste
planeta?
O Condor ouvindo a pergunta do
Sol lhe respondeu,
já exausto pelo vôo:
_ Gostaria muito de saber o
que lhe deixa tristonho.
O planeta está quase
sem tua luz:
os pássaros já
não sabem mais para onde ir;
as flores, principalmente o
girassol;
já não sabe mais
se fica acordado ou se dorme;
os animais já não
sabem mais se ficam
em suas tocas ou saem para caçar;
as lavouras estão se
perdendo...
Tudo está tão
confuso,
que resolvi arriscar este vôo
e lhe perguntar qual seria o
problema.
O Sol percebendo a preocupação
do Condor disse-lhe:
_ Não sabia que estava
causando tantos transtornos!
Confesso que me absorvi em meus
pensamentos,
que não me dei conta
do que estava fazendo.
Posso tentar solucionar isto
tudo;
prometo tentar...
O Condor percebendo a " dúvida
"
que ficou nas palavras do Sol,
ainda insistiu na mesma pergunta:
_ Mas o que está ocorrendo,
que lhe tirou a atenção
do resto do mundo?
Poderia lhe ajudar, se você
me dissesse o motivo.
O Sol ainda encoberto, disse-lhe:
_ Acho difícil alguém
me ajudar...
Muito difícil mesmo...
E já que está
disposto a conversar, diga-me:
você já amou alguém
Condor?
O Condor apoiou-se nas encostas
de uma montanha;
abaixou sua cabeça sem
olhar para o abismo e respondeu:
_ Sim, já amei...
Amei uma linda ave,
que não era um Condor...
Amei e sonhei...
Muito...
E porque você me pergunta
isto?
Você que é o Sol!
Que possui bem mais dotes do
que eu;
que possui o poder em suas mãos?
Não é possível
que não consegue
conquistar o amor de sua amada?
Qualquer dama,
se renderia à sua luminosidade;
ao seu esplendor;
ao seu magnetismo natural;
ao seu calor...
E antes mesmo que o Condor continuasse,
o Sol o interrompeu dizendo:
_ Qualquer uma, menos ela...
O Condor já intrigado
de tanta curiosidade,
então perguntou:
_ Quem Sol?
Quem é ela?
Que dama lhe ofusca os olhos?
O Sol, então olhou para
o infinito
e disse-lhe com o semblante
bem tristonho:
_ A Lua...
A Lua, amigo!
Neste instante o Condor em respeito
ao Sol,
segurou seu sorriso e disse-lhe:
_ A Lua?
Como você apaixonou-se
por ela?
Como isso aconteceu?
O Sol percebendo o espanto do
Condor,
lhe respondeu:
_ Aconteceu, que nos encontramos
por algumas vezes...
Em frações de
segundos em alguns lugares,
mas nos encontramos!
Por que você está
surpreso com isso?
O Condor percebendo que o Sol
já estava se exaltando,
tentou explicar:
_ Por favor amigo,
não quero que fique nervoso
comigo.
Apenas estranhei a Lua ser sua
amada...
_ Como estranhou?
Nunca lhe perguntei a quem você
amou
e se tivesse dado certo,
você não me responderia
da maneira
como me respondeu!
O Condor então disse:
_ Sim, você está
certo...
Desculpe-me!
O que estranhei,
foi que você viu muito
pouco esta bela criatura,
para poder se apaixonar por
ela.
Neste instante o Sol então
respondeu:
_ Sim muito pouco...
Muito pouco mesmo...
Mas nestas poucas vezes,
enxerguei dentro dos olhos dela.
Vi toda a beleza que ela trazia
dentro de si...
Enxerguei o seu coração...
Senti-o bem próximo a
mim...
Acreditei naquele olhar...
Vi cumplicidade...
Vi entrega...
Vi amor...
O Condor, observou que o Sol
lhe falava,
mas seus olhos ficavam fixos
no infinito,
procurando talvez os olhos da
Lua.
Então disse-lhe:
_ Ora, ora amigo,
tenho que pensar em uma maneira
de lhe ajudar.
E lhe ajudando, estarei sendo
ajudado...
não só eu, todo
o planeta!
O sol com mais emoção
então perguntou:
_ Como você poderá
me ajudar?
_ Devagar amigo!
Primeiro preciso me encontrar
com alguns amigos
de hábitos noturnos e
depois lhe darei a resposta.
E o Condor saiu voando mais que
rapidamente
e em menos de 5 horas; quase
à noitinha,
apareceu junto à encosta
de uma montanha,
onde o Sol já se reclinara
para adormecer e disse-lhe:
_ Veja amigo, o que trouxe junto
a mim!
São vários amigos
de hábitos noturnos
e todos eles estão dispostos
a lhe ajudar,
se você continuar durante
o dia no céu,
mais forte do que nunca!
É esta a única
condição imposta por eles,
para lhe ajudar!
O sol intrigado com tantos animais
ao seu redor,
então os perguntou:
_ Então digam, o que
vocês fariam?
Neste instante uma coruja,
com a fisionomia bem experiente
e sábia, disse-lhe:
_ Levaríamos à
Lua,
seus recados;
suas notícias...
Tudo que precisar!
O Sol neste momento bramiu
com grande satisfação
ao dito pela coruja.
E depois sorriu aliviado dizendo:
_ Então digam a ela uma
" coisinha "
muito importante;
que nunca tive tempo para dizer;
pois quando nos víamos,
ficava tão preocupado
pelo pouco tempo de encontro;
que esquecia de lhe dizer...
Digam a ela, que a amo!
Que a amo, mais do que tudo!
Que estarei sempre esperando
para nos encontrarmos!
Que serei guardião do
dia
e ela será a guardiã
da noite...
E trabalhando juntos,
os dias e noites se passarão
sem erros
e nos veremos novamente!
E quando nos encontrarmos novamente,
a amarei mais e mais...
Nem que demore
meio século para este
encontro,
mas a amarei!
Os animais neste instante se
emocionaram
com a clareza e transparência
do Sol.
Agora sim, ele foi sincero em
seu sentimento.
Ele não o escondeu entre
as nuvens escuras
e não teve medo de falar
o que sentia.
E a noite chegou.
A primeira a levar o recado foi
a coruja.
Do alto de uma árvore,
disse à Lua as palavras
do Sol.
Naquela noite,
uma chuva muito branda ,
molhou a Terra.
Cada gota de água da chuva,
representava emoções
e sensibilidade da Lua.
Cada gota de chuva representava
lágrimas de amor da Lua!
Lágrimas de esperanças...
Lágrimas de satisfação...
Lágrimas de confiança...
Agora a Lua sabia que não
estava só...
E um dia, se encontraria novamente
com o Sol...
Nem que demorasse meio século...
Mas o encontraria...
Na imensidão do tempo...
Ao " Sol " e a " Lua " que existem
dentro de todo ser humano;
que as nuvens e turbulências,
apenas dêem um sentido maior
a existência desses dois seres!
Heremita.'.